quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Delírio




Não pertences onde me encontro
nem os desejos soletram a palavra
um delírio, resumindo
em contornos escuros

Assim o senti e não mais sentirei
Um fogo na noite aberto ao céu
uma criança com olhos a brilhar
a impossibilidade da morte

Estarei só, estarei leve
presa numa cidade incompleta.









sábado, 17 de setembro de 2016

terça-feira, 5 de julho de 2016







Percorres a minha presença
Na água moldante da nossa realidade
excluída do tempo em corrente
num recolher interno

Brilham-nos estrelas nos movimentos
das nossas testas unidas e respiradas
em peitos ansiosos de serem rasgados e alternados
e os nossos passos receosos
confiantes na fusão, na confusão

Somos uma verdade
Preenchida da intransponibilidade
Chegámos ao fruto mais querido
Não largues os meus dedos
consistentes de caminho.







sexta-feira, 24 de junho de 2016


Anseio a música esgotada de mim
A vibrar-me nas pálpebras apagadas de pensamentos
Inundando a minha boca de saliva fresca
De tormentos frenéticos
Adorados, puros e quentes
Desbravo o fim das portas
Para me abandonar à noite
A brisa delicada conta-me segredos do Amanhecer
Existirá ainda o tempo que se segue à loucura, ou ficará o nosso peito aberto, paralisado e revirado ao Céu eterno?




quinta-feira, 9 de junho de 2016

Abril



Sorrisos carismáticos
da nostalgia de nos sermos,
sem nos perdermos
Servimo-nos a fugir
e na fuga o encontro

Albergo-me no silêncio do espanto
No teu rosto transformado
e na força dos nossos Deuses

Voa, sob o mar que bebemos
e na mãe que acolhemos
Voa, com o teu semblante iluminado
e a certeza de estar tão perto

Não acredites na existência dos dias
pois vivemos no fim do tempo
com o teu peito no meu profundamente inspirado
o teu peito no meu para sempre trespassado
Com o teu ténue peito no meu
completamente misturado.




segunda-feira, 23 de maio de 2016

137 Dias




Quero-te entrar
No abismo exaurido
Do teu florido espaço
De estrelas no meu triângulo

Quero o teu movimento
Quero o teu momento

Quero-te poder
Virar no tempo
Com os meus dedos
Amantes do vento

Tu estás no precipício
Do meu coração
Eu estou no precipício
Do teu furacão

Tu estás no fim do meu abismo
Eu estou no caminho do eufemismo.




sábado, 30 de abril de 2016



Não te sei escrever
Com caneta e papel
Só sei sangrar
Não consigo fotografar o momento
Nem o memorizar
Passa-se agora, no acontecer
Participo mas não sou mais
Se te contasse as minhas histórias
Não te falaria da mesma pessoa
As pessoas são loucas e eu incerta
O que quererá dizer quando estou desperta?
Poderemos ouvir o mundo a rugir
Mas estes ouvidos escapam nas horas
Só se prolongam na tua voz
Embaciada memória de pêndulo
Traz-te a mim sem demora
Quero agrafar-te na minha história.









terça-feira, 19 de abril de 2016

7



Os raios de sol
Acariciam o cabelo
Entornando na pele a intemporalidade

O momento focado no teu olhar
Ramificado para dentro e expandido na estrada

Surte-me o desaparecimento da impaciência
Pois os instantes são segredos.




sexta-feira, 1 de abril de 2016

Alado





Busco o momento presente
Na escuta das tuas mãos
Que são leves mas gritam

Gritam-me o poder do tempo
No vento
Dos meus cabelos perdidos e extendidos para fora de mim

Só um instante,
No movimento, repartido
E na surpresa rasgado,
Poderia ter descoberto os meus lábios
Reticentes mas loucos
Fundidos nos meus olhos revirados ao céu

As manhãs adiam-se
E ostentamos na noite a marginalidade da nossa Paixão.




Jani Freimann