terça-feira, 22 de dezembro de 2015
Caminho sobre as minhas unhas
e todo o meu corpo se flecte surpreendendo-me
largando todos os meus suspiros
Tudo em que tocamos está dentro de nós
no ritmo, no som, no silêncio
Responde-me
e afirma-te no desejo
do convulsivo descalabro
que expulsa toda a pele de mim
paralisa-me saber-te
correr sob tudo o que é vida, terra e humidade
e sorrir-me flectindo-me em queda perto do céu
Lá fora há uma tempestade
e eu movo as minhas ancas entre as paredes.
domingo, 2 de agosto de 2015
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Sobre Fogos
Marina Petro
Da terra dos ossos
erguem-se os espasmos da manhã
doridos ilustres
com a perda da justificação
erguem-se os espasmos da manhã
doridos ilustres
com a perda da justificação
da ânsia de viver
É só mais um caminho
que se estende aos teus olhos
tu, que no silêncio do meu corpo
cravaste o pesadelo à noite
Crispada
fervem os toques nas costas
e eu exijo-me estender as mãos
para as soldar em betão
Não há fim que se justifique.
É só mais um caminho
que se estende aos teus olhos
tu, que no silêncio do meu corpo
cravaste o pesadelo à noite
Crispada
fervem os toques nas costas
e eu exijo-me estender as mãos
para as soldar em betão
Não há fim que se justifique.
terça-feira, 26 de maio de 2015
quarta-feira, 29 de abril de 2015
VIII
Palpita descaindo
O movimento de um intervalo no sentido do tempo
Mãos quentes narram a inexistência
E longas são as linhas que apontam no céu
A angústia de respirar
Abandona-me onde só eu existo
Na tragédia de percorrer
As entranhas catatónicas
Que loucas vomitam pássaros de sangue.
sábado, 28 de fevereiro de 2015
Estar em contacto,
com uma força subtil apontada aos céus
Vejo-te asas acarinhadas pelo vento,
num rio que se cruza
No outro dia, os olhos enrugados pelo cansaço fixavam, vítreos
o fundo do barco,
e todas as penas se desidratavam.
O bosque espreguiçava-se sobre o rio,
e quando anoiteceu o barco foi deixado à deriva.
Por entre as árvores, nua, roçando-se na terra
estava a razão da vida,
frémitos êxtases que não têm pertencer ou entender,
que não sabem conhecer ou justificar.
Olhos dentro da escuridão,
escuridão dentro dos olhos,
Se os fecharmos haveremos
de nos tornar.
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