quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Sinergia









Os seus negros contornos e enredos
faiscantes de plenos segredos
As minhas mãos quentes e leitosas
nos seus lábios vulneraveis de dor

Um querer entregue de nos sermos entre nós
Um esvaziar no tempo colado, arranhado, sugado
Eu conheço o que existe mas não persiste
Eu com o meu peso no céu e um desnível

Pretendes-me crer e crer eu posso
Rugir o meu fogo pelo véu do Universo
Tocar a ponta do teu nariz
com o céu encoberto

Eu possuo o delinear do material
a potência do invisível
um foco drástico no centro de ti, de nós
Remexe-me esta energia que expande
que se implora, que me invade ao silêncio ruidoso
da alteração dos corpos

Uma forma alheia, sucinta
irreconhecível vã de enlace
Evapora-se longe, em torno das estrelas
O meu peito freneticamente perfurado
encontra-se a sangrar com o teu.













sexta-feira, 4 de agosto de 2017

3




Outrora estive encantada

Os meus olhos expandiam e a minha cabeça encontrava-se atrás

Tudo me percorre mais fervorosamente quando não sou eu

Eu corrompo o meu êxtase

e por isso me escondo

Mas nada é como digo e por isso recriarei

Encontro-me a pulsar sem sentido

e com motivo, procuro-me também.







domingo, 26 de março de 2017

Mortalidade




Não, não compreendo a cadência,
a vivência, a eloquência,
Os acasos que a vida compromete
mas compreendo a intenção do meu corpo
em contacto com a tua mão.

Quero conduzir-me embriagada
de noite, luminosa
numa súplica de redenção
Tenho para oferecer todo o amor quebrado
as minhas vísceras, o meu centro,
os meus olhos dilatados e rasgados, vidrados,
procuro-te para olhar.

A loucura protege-me e eu desencontro-me
Com o medo construo casas despidas
onde o frio consome o rosto dos sonhadores.