O sono envenenado de clarões
num corpo entregue mas esquecido
prolonga a embriaguez de se sonhar.
Não contaminarei a minha presença
com o meu movimento
tudo é demasiado eterno
para ser perseguido
e raras são as vezes em que me deixo ao relento
Nos meus membros congelados
Um relâmpago salpicou o céu ao cair na noite.
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
O sono que sacode as minhas pálpebras
em colisão com fraternos anseios
aparenta negras testemunhas
que se estendem quando o vento roça
no meu coração que pulsa. Desafio-te, corpo
a derreteres a tua carne na lama
a arrasares as fogueiras da morte
a desistires de pertencer à tua pele
Hoje é só mais uma névoa
de rastilhos evaporados
e tremo ao extinguir qualquer outro
impulso em mim
senão o arder como uma árvore
e tornar as minhas raízes uma memória.