Os seus negros contornos e enredos
faiscantes de plenos segredos
As minhas mãos quentes e leitosas
nos seus lábios vulneraveis de dor
Um querer entregue de nos sermos entre nós
Um esvaziar no tempo colado, arranhado, sugado
Eu conheço o que existe mas não persiste
Eu com o meu peso no céu e um desnível
Pretendes-me crer e crer eu posso
Rugir o meu fogo pelo véu do Universo
Tocar a ponta do teu nariz
com o céu encoberto
Eu possuo o delinear do material
a potência do invisível
um foco drástico no centro de ti, de nós
Remexe-me esta energia que expande
que se implora, que me invade ao silêncio ruidoso
da alteração dos corpos
Uma forma alheia, sucinta
irreconhecível vã de enlace
Evapora-se longe, em torno das estrelas
O meu peito freneticamente perfurado
encontra-se a sangrar com o teu.
