quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
O vento acarinha quem Sonha
Incongruente transferência de ventos
que me ardem
em cima de cidades devoradas pelo alcatrão
onde só me encontro eu, no meu mais fraterno embalo
perante o cume mais frondoso dos abetos
longe de tudo o que não me é
a devorar a coragem para encontrar o meu perdão
de todas as fatalidades em mim
Permito-me contrair os músculos
que são fortes e afiados
e em nenhum caminho me apresento aos muros
Pois no meu peito desfibram vontades
E no abeto, bem no alto, o vento acarinha quem sonha.
Escorrer
Os líquens agarram-se aos meus pés descalços, húmidos e entregues
e o silêncio do andar terreno é o sentido que canta.
Que escorram sonhadores os gestos que ouso desejar
Que a noite invada as pupilas dos olhos que anseiam o que está para além
Que esta terra me engula e me renasça com calor
Um tambor na água como se fosse o meu coração
guia-me em ascendência trocando os meus ouvidos por dedos
e os meus olhos por bocas
Pois também eu canto, em silêncio
Canto e danço
E escorrem quentes os lagos a vapor.
domingo, 14 de dezembro de 2014
Memória
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