terça-feira, 16 de setembro de 2014

Auroras, Ramos e Eclipses

                                                                                                          Painting by Beatriz Martin Vidal


Auroras obcecadas pelos ramos de árvores
Que deslizam pelas minhas mãos
Enquanto
Peitos estridentes com fugas proibidas
Acompanham-me em declínio

Já ouviste falar de ranhuras por onde escapam as estrelas?

Um dia o mundo tornar-se-á eclipses da nossa vida.



domingo, 14 de setembro de 2014

Barco




O espectro de um barco
que preso se lamenta
enquanto por baixo as ondas o beijam em desatino,
agitando-se contra as rochas
por debaixo dos meus pés.

Estou aqui para não estar.

Vanglorio uma solidão
exaltada por tremores de vida
caindo em mim como que me afogando
em brasas, em pó, e em remotas purezas
enquanto a chuva se descasca,
de faces voltadas para o barco.

Por onde o meu sangue não abre caminho
O tempo foi perdido
Abandonando granadas no meu peito.






quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Hóspede




Um transpirar
É um desconhecer das Ruas

Não me provoquem
Com um torpor de mãos vazias
Nos recantos dos precipícios
Onde ostento a minha presença com a força do vento.

Aqui,
E em todo o lado
Albergo hóspedes em mim
Expelindo-me para grutas cheias de Mar.

E por isso te digo:
Acolhe a luz vermelha da minha casa.




segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Colagens








Se compreendesses as roturas por onde sai a luz,
Saberias que há várias formas de encruzilhar sílabas,
E hoje um estranho decidiria o meu destino.

Será que nestes compassos,
Que se arrastam contaminando o ambiente,
Saberei arrasar a memória do tempo?

Ela caminhava com corvos debaixo da saia,
E uma romã no peito.
Debruçavam-se sobre os seus lábios antigas cantigas em vibrações trágicas,
E molhados os trevos a espreitavam,
Enquanto espasmos a atiravam para uma ausência.

E se eu projectasse a minha imagem
Nos contornos instintivos da paixão
Haveria a minha embriaguez levantar voo e adormecer-me?

As respostas da coragem
Escondem-se num leito de neve,
Com uma suavidade provocatória
E o meu corpo de luz arde
Em contacto com a minha morte
Mas, estou aqui também
A furtar pela janela,
E saberias que há várias formas de encruzilhar sílabas,
E hoje eu decidiria o meu destino.






sábado, 6 de setembro de 2014

Caminhante





É quando é de noite que as ruas se tornam minhas
Quando não há destino nem saudade
Avanço e recebo
Escutando os passos hesitantes na terra molhada
e a solidão destapada

Não tenho acesso à visão
E o que me rodeia poderiam ser flocos de neve

Pois os caminhos são para serem percorridos
Mas longe está quem um dia acreditou no sol.








quinta-feira, 4 de setembro de 2014

13

Sombras persecutórias das portas
Em uma casa antiga, banhada em areia
Onde fogos são ateados por mãos vendadas
E olhares desfalecidos, relembram
Um revirar de bocas
E um foco, nesta madrugada.