quinta-feira, 31 de julho de 2014

O Mar









Espanta-me a estranheza
Em toques no meu corpo
E em volúveis ondas na minha espinha

Um fim, louco e longe

De olhos fechados
Ergo o meu pescoço na terra
com a cabeça nos meus quadris

Não há nenhum destino eterno
Onde os tempos se encontram

Permaneço no mar
E procuro uma maneira de sobreviver ao sono.






quinta-feira, 24 de julho de 2014

Frequência







Transfiguro as perspectivas da minha pele
Enquanto o centro arde
de boca aberta ao vento

Mudei de personagem

As estrelas deixam-nos cegos
e no encontro
Extermino qualquer barulho em mim por medo de me encontrar

Afirmo a contenção dos mares,
Afirmo qualquer coisa indisponível.






segunda-feira, 21 de julho de 2014








Contracturas dos ombros ao coração
Em vida, como um berbequim pensante
Dentro dos sentidos que se esfolam para se remendar

Um dia fecharei os olhos
e perderei um tempo em mim
como uma viagem que se faz ao futuro para o passado

Um atalho. Procuro um atalho.












quinta-feira, 10 de julho de 2014

Valsa



Olho, vagarosamente em torno da minha sombra
Estremeço ao sentir os meus pés
Tudo o que se fecha dentro de mim rasga-se para dentro
Em convulsões silenciosas
Cascatas de acarinhada tristeza, sorrio, tão só em mim

Sorrio como se fosse pela primeira vez
E olho-te vagarosamente

Pêndulos nocturnos oscilantes de incertezas
Só te queria raptar para bem longe daqui e deitar-me contigo
Morrer por instantes ao teu lado
Olhar-te num universo
Mergulhada e afogada em ti.

Mostrar-te e descobrir-te
Queimar-te e elevar-te
Até nada mais existir
Senão alguém ou ninguém
De peitos rasgados fora do corpo.




Raia Espectral

A vida como uma memória
Uma memória das pessoas que somos
A mistura das pessoas que nos são
Tão difícil é a construção do nosso corpo

Espelhos invasores
Perseguem o meu caminho
Reflexos nossos ardem

Tão ténue é a teia de passagem
Como uma droga, envolvente
Estou perto, tão perto
Em crisálida
O meu corpo em vertigem

Por breves momentos deixei de estar aqui.