domingo, 31 de agosto de 2014

Lua



A Lua é o centro e eu o espaço.
A retalhação da gravidade desconhecendo o amor que arde.

A Lua é o centro e nós o espaço.
Irrompem aladas formigas não se entusiasmando com as minhas costas,
e as bocas abertas invertidas e cegas.

A Lua é o centro e tu o medo.
Farpas alojadas nos meus olhos que expulso
Pescoços que rangem em vislumbres

A Lua é o centro e cá em baixo há um comboio.
Burburinhos que escavam em terra inexistente
na violenta vertigem com desonra nos sentidos
e cabelos na boca.
O comboio arde no fundo dos meus pés
Pois o centro é a Lua mas a Lua não existe.

Não há cidades ou marés que esperem um fantasma
Não há nada em concreto que nos albergue em vácuo
E não há tenacidade nas despedidas

Declaro um desabar em ti
Cheio de sonhos e confissões
E o centro somos nós,
e a Lua a ser lavrada de vontades.




quarta-feira, 13 de agosto de 2014





Uma agonia de seres meio feitos
Com lábios decapitados em vez de orelhas

Havia eu de chegar ao fim do mundo
Só com a perseguição da minha luz
Largar todo o sopro
E olhar com os olhos rasgados,
Com as palmas abertas,
Com os joelhos partidos,
o violento desespero.

Tudo o que toca em mim,
Dói.