quarta-feira, 5 de novembro de 2014





O sono que sacode as minhas pálpebras
em colisão com fraternos anseios
aparenta negras testemunhas
que se estendem quando o vento roça
no meu coração que pulsa.

Desafio-te, corpo
a derreteres a tua carne na lama
a arrasares as fogueiras da morte
a desistires de pertencer à tua pele

Hoje é só mais uma névoa
de rastilhos evaporados
e tremo ao extinguir qualquer outro
impulso em mim
senão o arder como uma árvore
e tornar as minhas raízes uma memória.






2 comentários:

  1. Tu és fogo, e como tal manter a chama às vezes é dificil.
    O mundo devora esse fogo. Suga-o de ti como um tornado, esgotando a chama, ameaçando extingir-la com um sopro.
    Mas tu és forte, mesmo quando te sentes fraca.
    Tu suportas o peso, mesmo quando tudo em ti grita para não o fazeres.
    Assim é porque és fogo. E o fogo não pode quebrado.
    Pode ser dobrado, alimentado ou privado de sustento, mas não pode ser quebrado.
    E como tal tu não quebras, tu dobras.
    O frio do "sono", pode ameaçar extingir-te, mas tal não acontecerá.
    Primeiro, porque tu não o deixarás.
    Segundo, porque mesmo que o quisesses, a tua alma não te deixaria.
    A carne pode doer, os ossos podem quebrar, mas o teu fogo...
    Esse mantem-se firme e forte. Como os pilares da Terra.
    O mundo exige muito de ti, e cada pessoa na tua vida, toma para si uma porção desse fogo.
    Mas assim como tu aqueces as suas vidas, também as suas vidas sustentam-te.
    É a natureza do fogo.
    Que com a sua luz atrai as sombras do teu caminho.
    Apela àqueles que o tomariam de ti completamente, se os deixares.
    E devora tudo no seu caminho... mesmo o que não queres.
    Tem consumir para que possa dar.
    Tem que destruir para criar.
    Tu "queimas" tudo que tocas.
    Mas quem entende o seu propósito e o seu significado... Aceitar-te-á sempre.
    Por isso deixo que as tuas palavras, o teu trabalho, o teu talento, a tua confiança, e a tua beleza me queimem.
    É o preço que aceito, por algo que me é importante.

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