sábado, 6 de setembro de 2014

Caminhante





É quando é de noite que as ruas se tornam minhas
Quando não há destino nem saudade
Avanço e recebo
Escutando os passos hesitantes na terra molhada
e a solidão destapada

Não tenho acesso à visão
E o que me rodeia poderiam ser flocos de neve

Pois os caminhos são para serem percorridos
Mas longe está quem um dia acreditou no sol.








2 comentários:

  1. Adoro a noite!
    Posso mesmo dizer que sinto-me mais vivo de noite, a minha mente fica mais ativa, vejo coisas numa prespetiva que no "ruído" do dia não consigo.
    O mundo parece nosso, podemos andar quilómetros sem nos dar-mos conta, e ao contrário do dia em que a luz tenta preencher-nos, na escuridão da noite, eu e a noite ocupamos espaços individuais, estamos separados mas atentos um ao outro. Existe um respeito mútuo.
    O dia abafa parte do nosso ser, pois cria habitos, vemos o caminho, percorremos o caminho. Mas na noite uma mudança ocorre, eu não vejo o caminho eu sinto o caminho, parte de mim sabe onde ir, e eu vou lá.
    Por norma vou sozinho, sim, existe uma liberdade mais tangivel quando estamos com amigos ou alguém especial, mas esses não são os nossos momentos, mas um momento colectivo, e embora importante, não sabe ao mesmo. Apenas sozinhos somos nós mesmos, apenas nesses momentos ouvimo-nos a nós mesmos, e ás vezes... Descobrimos coisas sobre nós mesmos que nem imaginavamos.
    É o percurso do descobrimento e conhecimento.
    É o percurso do caminhante da noite.
    Caminhando em direção a algo ou alguém... hmmm... Questiono-me se algum dia os nossos caminhos irão cruzar-se...
    O tempo dirá.

    Como sempre um texto cativante, sedutor e acima de tudo familiar, como ler letras que podiam ter sido escritas pela minha mão.
    Obrigado ;-)

    -RS-

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