quarta-feira, 13 de agosto de 2014





Uma agonia de seres meio feitos
Com lábios decapitados em vez de orelhas

Havia eu de chegar ao fim do mundo
Só com a perseguição da minha luz
Largar todo o sopro
E olhar com os olhos rasgados,
Com as palmas abertas,
Com os joelhos partidos,
o violento desespero.

Tudo o que toca em mim,
Dói.






2 comentários:

  1. É a dor de viver. Vida é dor.
    A dor de amar, a dor do ódio, a dor de compaixão, a dor da amizade, a dor de falhar, a dor da distância, a dor da verdade, a dor da mentira, a dor de sonhos, a dor de pesadelos....
    Talvez uma das poucas emoções que nos dá alguma garantia que nós realmente vivemos neste mundo. Que tudo isto não é apenas um sonho colectivo.
    O mundo não acabará para ti, disso tenho certeza.
    És demasiado forte para simplesmente desvanecer e cair no esquecimento.
    O teu corpo pode sofrer, pode partir, pode ser reduzido ao pó de onde viemos, mas a alma, a tua essência, quem realmente és, isso nunca desaparecerá.
    E os nossos corpos são enganadores. Inserem duvida onde havia certeza, e dão-nos uma sensação de certeza quando deviamos duvidar.
    São nós, mas não completamente.
    Mas a dor é apenas o caminho, e alguns casos a escolha.
    Se tudo que toca em ti dói, isso é porque a cada toque, uma parte de ti passa para essa pessoa, e por sua vez, parte dessa pessoa passa para ti.
    A luta das almas. Invisivel, silênciosa, mas incrivelmente presente.
    É por isso que certas pessoas não só iluminam as nossas vidas, mas dão-nos vida. E claro temos o oposto, a força que equilibra a equação, o negativo, o destrutivo, aqueles que entram nas nossas apenas para diminuarem as nossas vidas, para ferirem a mente e agitarem as águas do oceano de caos que é a alma.

    Achei especialmente intrigante estas palavras "Com lábios decapitados em vez de orelhas". Principalmente por causa da minha experiência pessoal, quando encontro-me diante de uma situação ou fase, onde parece que não possuo voz, que apenas consigo ouvir o que outros dizem, mas as minhas próprias palavras, são vácuo.

    Adorei o texto! Espero ler mais no futuro.
    Obrigado por partilhares ;-)

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