quinta-feira, 11 de junho de 2015

Sobre Fogos

Marina Petro
Da terra dos ossos
erguem-se os espasmos da manhã
doridos ilustres
com a perda da justificação
da ânsia de viver

É só mais um caminho
que se estende aos teus olhos
tu, que no silêncio do meu corpo
cravaste o pesadelo à noite

Crispada
fervem os toques nas costas
e eu exijo-me estender as mãos
para as soldar em betão

Não há fim que se justifique.


1 comentário:

  1. "Da terra dos ossos erguem-se os espasmos da manhã"... Tudo começa como uma faísca. Uma brisa que gera a tempestade do presente.

    "...que no silêncio do meu corpo
    cravaste o pesadelo à noite"... De dia sonhamos o sonho dos tolos e iludidos, mas à noite... Acordamos para a vida. E quem realmente somos é revelado e exposto. Como um nervo, uma veia, uma artéria.
    E é nesse aparente estado latente e vulnerável, que as mudanças ocorrem. Como o Ouroboros, devoramos o velho para dar lugar ao novo.

    "Não há fim que se justifique"... Todos os fins são justificáveis.
    A razão perde-se no oceano dos nossos desejos.
    Por isso somos criaturas conflituosas. Quebramos todas as regras, especialmente as nossas. Tudo em prol do que acreditamos ser o caminho certo naquele determinado momento.
    Raramente vemos a floresta, preferindo focarmo-nos nas árvores que os nossos olhos vêem.

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