
Fixo, o ponto do tecto que se liga ao meu corpo
e imóvel, desacreditada
a minha respiração preenche as memórias
com um torpor de desalento
A força que me invade tem duas caras
e uma delas pretende-me devastar.
Mais uma vez
os teus lábios pernoitam-me
e ultrapassam a última hora da noite.
"Dizem que aquilo que é real
ResponderEliminarApenas o é porque é percebido como tal
Se eu olhasse para ti e tu a mim
Esse simples acto define quem somos
Eu defino-te e tu a mim
A nossa realidade pode nem ser nossa.
Somos cada um de nós um universo
Definidos por leis que nos escapam
Em cada estrela um mundo
Em cada mundo uma forma de vida
Cada vida lutando por sobrevivencia
Lutando por dominio
E neste ponto voltamos à consciencia
À percepção...
Sou o que sou, porque tu me fizeste assim...
Essa questão levanta muitas outras
Todas gritando "Eu sou a verdade!"
Mas o que é verdade? Tal coisa existe mesmo?
Quando olhavas para o tecto...
Esse teto era o que vias, ou o que outra pessoa antes de ti viu?
Quando respiras...
Esse mesmo ar é teu? Ou é o produto de outra pessoa?
E até mesmo essa força que te invade...
É tua? Ou é o produto do que outros vêem em ti?
Nesta noite um pensamento errante
Uma voz ecoa nas profundezas da minha alma
E ela diz...
'Tu és o caminho, mas não és a estrada
Não para ti...
Outros são a tua estrada, e tu és o caminho deles' "
Pensamentos errantes... Ideias em cima de ideias.
Perguntas... Que podem nem ser minhas
Tudo isto pode não vir de mim
Mas de ti, e todas as outras pessoas neste mundo.
Separados, mas unidos
Diferentes, mas iguais
Distantes, mas próximos
Eu não procuro por uma resposta.
Apenas procuro a mim mesmo.