quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Escorrer





Os líquens agarram-se aos meus pés descalços, húmidos e entregues
e o silêncio do andar terreno é o sentido que canta.
Que escorram sonhadores os gestos que ouso desejar
Que a noite invada as pupilas dos olhos que anseiam o que está para além
Que esta terra me engula e me renasça com calor

Um tambor na água como se fosse o meu coração
guia-me em ascendência trocando os meus ouvidos por dedos
e os meus olhos por bocas
Pois também eu canto, em silêncio
Canto e danço
E escorrem quentes os lagos a vapor.



2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Interessante este teu texto.
    Escreves com a paixão de quem quer ser, ou deseja, estar conectada ao mundo. Não ser apenas mais um ser numa multitude de seres, mas conectada a um nível, onde tu és tu, mas ao mesmo tempo, deixas de ser.
    Uma rendição.
    Uma entrega absoluta e incondicional.
    Falas dos teus desejos, daquilo que queres, que desejas, que sentes.
    Não questiono esses desejos, mas questiono os teus motivos.

    Desejar é natural em todas formas de vida, da mais pequena à maior, tudo deseja algo.
    Mas é nos motivos que reside Dolos. E ele é tanto uma arma contra ti, como o teu maior professor.
    Nos motivos reside a verdade sobre o teu compromisso, sobre a tua vitória, e acima de tudo... Sobre ti mesma.
    E Dolos... Ele é parte de ti, como é de mim, e todas as outras pessoas. Até todos seres vivos e mortos.
    Ele é a sombra nos teus olhos, o suspiro no teu ouvido, o frio na tua pele, a furia na tua voz... Ele é, porque tem de ser. Ele não existe por capricho ou fraqueza, ele existe porque tu existes.

    Mas voltemos ao reino de Hypnos.
    O desejo presente neste texto é a tua caixa de Schrödinger.
    Já és essa pessoa e ao mesmo tempo não és.
    Aquilo que desejas já é e não é.
    És parte de tudo e nada.
    Realizada e vazia.
    Já chegaste ao teu destino e ao mesmo tempo ele continua distante.

    Tudo isto é e não é.
    Determinado pelo teu Ikenga.
    Pois se Dolos é o professor, Ikenga é o mestre.

    -RS-

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